Cinema é tudo

Acabaram as filmagens do Corações Sujos. Além das saudades do set, de uma certa "depressão pós-parto" e de outros sentimentos nostálgicos há também um lado de mim que se sente aliviado. Não por não estar mais filmando - é pra isso que vivemos -, mas por saber que a fase mais difícil de um projeto que já tenho há tantos anos se cumpriu. Foram, como já foi publicado pelo Mussoi, 925 set-ups em 34 dias de filmagem (mais de 27 por dia!), cinco bases de locação diferentes, uns 18 dias de noturnas e uma babel incrivelmente feliz. Devo muito ao Caíque e ao Karam (e à galera deles), que montaram a fundação que tornou isto tudo possível.

Estou há três dias de volta no Rio, no escritório, cumprindo o batente de produtor deste filme e de mais uns quatro que temos em produção aqui na Mixer.  Meu lado diretor tem que ficar com a ansiedade controlada enquanto a Diana Vasconcellos, montadora, prepara uma primeira estrutura em cima da qual vamos trabalhar. A filmagem é o cerne de duas pontas fundamentais de um filme: o roteiro e a montagem. Estou louco para mergulhar na última etapa, mas preciso dar um tempinho pra Diana. Enquanto isso, levanto o que falta para o Corações Sujos, para meu próximo filme e para os próximos de Michel, Pedro e João.

Já ouvi dizer que o filme é a filmagem, mas o cinema é a montagem. Bobagem. Cinema é tudo.

Vicente Amorim
Diretor